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A REVISTA DAS BEATS

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Bebê Feio apresenta “Tragédia”, primeiro álbum da banda 

há 2 horas
3 min de leitura

Com influências de Death, Doom, Sludge, Black Metal, Hardcore e Deathcore, grupo apresenta trabalho conceitual estruturado como uma tragédia grega


 

Pesado, agressivo, desconfortável e difícil de encaixar em uma única prateleira do metal. É assim que o Bebê Feio chega a “Tragédia”, primeiro álbum completo de sua carreira e trabalho que transforma alguns dos aspectos mais sombrios da experiência humana em uma narrativa dividida em três atos e um epílogo.

 

Formado em 2021 por Johnny, Pedrinho, Leandro, Bruno e Gunther o Titã, o Bebê Feio surgiu quando os cinco músicos resolveram fazer uma boa bagunça sonora. Algumas bebidas de procedência duvidosa depois, Death, Doom, Sludge, Black Metal, Hardcore e Deathcore acabaram misturados em uma sonoridade agressiva e difícil de rotular.

 

A solução encontrada pela própria banda foi simples: chamar tudo isso de metal feio.

 

Se nas redes sociais o grupo faz questão de alimentar a fama com graçolas e presepadas, musicalmente o Bebê Feio trata a coisa com muito mais seriedade. Depois dos EPs “Bebê Feio” e “Bestiário”, que marcaram uma espécie de puberdade prematura da banda, chega agora a suposta maioridade com “Tragédia”.

 

O ponto de partida do álbum nasceu de uma ideia tão improvável quanto ambiciosa: e se um disco de metal fosse estruturado como uma tragédia grega?

 

A resposta está em uma sequência de músicas organizadas em três atos e um epílogo, formando uma narrativa que passa por abuso, culpa, perda, religião, sofrimento, conflitos internos e pela própria capacidade humana de transformar a dor alheia em espetáculo.

 

A tragédia começa com “Tarântula”. No primeiro ato, a faixa transforma um abusador em um predador cuja presença continua contaminando a vítima mesmo depois de seu desaparecimento.


 

O segundo ato aprofunda os conflitos. “Sono” questiona como alguém pode cometer atrocidades e, depois, simplesmente continuar dormindo. “Despresença” parte da queda da figura heroica do pai para colocar em dúvida a existência de um Deus protetor.

 

É também nesse momento que aparece “Tragédia”, primeira música de trabalho do álbum. A faixa desloca o olhar para quem observa o sofrimento e transforma a dor em entretenimento, mostrando que, diante desse espetáculo, ninguém permanece completamente inocente.

 

No terceiro ato, o Bebê Feio abandona o mundo exterior para mergulhar na própria mente.

 

“Condição Humana Torturante” transforma o pensamento em um cativeiro. “Toxina da Fé” inverte a lógica religiosa ao sugerir que talvez não seja a carne que contamine a fé, mas justamente o contrário. “Instinto”, por sua vez, encerra o ato rompendo qualquer tentativa de contenção e deixando escapar aquilo que nunca pôde ser domesticado.

 

Depois de atravessar os três atos, “Sal” assume o papel de epílogo. A música retrata uma mente saturada pelo excesso de informação e que começa a se dissolver lentamente, como uma lesma em contato com o sal.

 

Mas há algo inesperado escondido no encerramento: esperança.

 

A harmonia de “Sal” abre uma pequena fresta de luz em meio a tudo o que veio antes. Uma escolha que revela uma contradição importante para compreender o Bebê Feio. Por trás das tragédias, da violência, dos conflitos e das partes mais desagradáveis da condição humana que aparecem em suas músicas, existe uma banda profundamente otimista.

 

Com “Tragédia”, o Bebê Feio leva seu metal feio para além da mistura de estilos. O termo passa também a representar a maneira como a banda observa aquilo que existe de desconfortável, contraditório e, muitas vezes, feio na experiência humana.

 

Tudo isso sem abandonar a ideia de que, mesmo no meio da tragédia, ainda existe espaço para acreditar na vida.

 

Ouça “Tragédia” agora na sua plataforma de streaming preferida:

 

Acompanhe a Bebê Feio em seus canais oficiais:https://linktr.ee/bebefeio 

 
 
 

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